sábado, 16 de dezembro de 2017

Crônica de um desmonte anunciado

O último anúncio que recebemos nesta semana de desmonte da Pós-graduação no Brasil, principalmente na área de Ciências Sociais Aplicadas, foi o de que a Universidade Católica de Brasília (UCB) fechará seu mestrado acadêmico. Pasmem, leitores e leitoras, o referido Programa teve sua nota elevada para 4 pelos avaliadores da Coordenação Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Aos olhos dos avaliadores, portanto, um programa que “caminha para a excelência”. Não convenceu, porém, os mantenedores, que optaram pela “descontinuidade”. Deixaram, porém, aberta a possibilidade de os professores “remanescentes” fazerem uma proposta de Mestrado Profissional, a “menina-dos-olhos” da CAPES e de muita gente que gerencia o Sistema Nacional de Pós-graduação (SNPG). A pedra cantada por mim há anos, inclusive, sempre que participei de reuniões, até na CAPES, era de que o incentivo ao Mestrado Profissional enfraqueceria os mestrados acadêmicos a ponto de fechá-los. Se alguém duvidava disso, a realidade, muito provavelmente, começa a desfazer a dúvida. Está mais do que evidente, que o MEC, via sua agência avaliadora e de fomento, não sabe o que fazer com os “mestrados acadêmicos”. Para alguns “executivos”, eles nem deveriam existir. Oras, mas, se não deveriam existir, porque continuam a ser autorizados? Não seria mais honesto anunciar logo que é uma estratégia de governo desmontar tudo o que existe e só deixar “de pé” aqueles que funcionam nas ditas “instituições de excelência”. É desumano “flertar com a expansão” durante anos e depois usar de subterfúgios para “desnatar” o sistema. É o que se tem feito paulatinamente. E sob os olhares estupefatos e silenciosos de muitas entidades que, só agora, ao que parecem acordaram do torpor. Antes tarde, do que nunca!


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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O que nos cega, nos condena

Ao que tudo indica, pelas notícias que circulam, a área de Ciências Sociais Aplicadas é a mais atingida pela “nova estratégia” empresarial aplicada aos “negócios em educação”. Existe a morte anunciada de três programas de Mestrado acadêmico na área com uma recomendação clara: “se quiserem, façam um projeto de Mestrado Profissional”. O que nos cega, nos condena. Lembro-me como se fosse hoje que em todos os fóruns mantive posição firma contra o incentivo exagerado aos mestrados acadêmicos. Na minha visão, era uma estratégia do Governo Federal para deixar de incrementar recursos na Pós-graduação brasileira. Os defensores diziam que eu era “um esquerdista”, digamos, “infiltrado”. Só não digo “bem-feito” porque existem muitos colegas pelos quais mantenho elevado respeito. Mas, o desmonte dos programas de Pós-graduação na área é apenas uma “amostra grátis” de o quê virá.  O incentivo aos programas “profissionais” combinado com a Reforma Trabalhista era tudo o que os “tubarões” da Educação Superior do País queriam: profissionais experientes sumariamente demitidos às vésperas do Natal e o desmonte dos programas de Pós. Resultado de quê? Da nossa acomodação coletiva e da viseira política que fizemos questão de ostentar. Muitos pagarão pelos braços cruzados da área: o que nos cega, nos condena!


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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O crime de se fechar programas de Pós

Ainda sobre o tema da avaliação dos programas de Pós-graduação no País, a cargo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), considero um crime de lesa-educação superior fechar programas de Pós-graduação, quaisquer que sejam, em especial, o Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (PPGCCOM) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). E tenho dois motivos fundamentais para sustentar meus argumentos: mudança do jogo no meio do processo e corte quase que total nas verbas para os programas. Oras, como todo mundo sabe, a avaliação deixou de ser trienal e passou a ser quadrienal. O que parece um ganho aos programas cujo desempenho (em publicação, o que considero extremamente injusto) dos professores (e professoras) pode ser discutido, como é o caso do nosso Programa, torna-se um problema, porque, dilui ainda mais a produção. Se este argumento é técnico, o segundo, é o que considero um crime de lesa-educação. Houve o corte de 75% nos investimentos destinados aos programas de Pós-graduação no mesmo momento que as regras foram modificadas. Logo, quem corta verbas não a menor moral para cortar programas, uma vez que não houve recomposição aos níveis de 2013 (e, certamente, nunca mais haverá). Sem verbas, professores e estudantes tiveram as atividades de participação em Congressos, que geram as trocas essenciais à sobrevivência, próximas do zero. Certamente, haverá quem diga que se trata de “choro de perdedor”. Não me importo! Vejo, porém, que, especificamente, na Área de Ciências Sociais aplicadas, as pessoas calaram, se acomodaram diante das injustiças à espera, digamos, “de uma tomada de consciência”. Nada disso aconteceu até agora. Por isso, resolvi fazer uma série de provocações para tentar fazer com que os membros da comunidade pelo menos reflitam sobre o quanto é criminoso fechar um Programa de Pós-graduação na Amazônia: tanto quanto demitir arbitrariamente professores no eixo Rio-São Paulo. Não me calarei! Em nenhum dos casos.


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